segunda-feira, 7 de julho de 2008

Coisas sobre Anardeus

Anardeus não é homofóbico.
O que ele não tem é saco para agüentar enrustidos que não têm coragem de assumir sua preferência e descontam sua frustração em qualquer pobre-coitado que cruza sua linha de tiros.
Anardeus não discrimina ninguém por ser homossexual. Se ele não gosta da Ellen Degeneres, não é por ela ser lésbica. É porque ela é chata mesmo.

domingo, 29 de junho de 2008

Wall-E


Wall-E é a nova animação da Pixar. Elogiar o padrão de qualidade deles já se tornou um clichê. Fica evidente que cada passo, cada linha e bit de um filme da Pixar é minuciosamente planejado, avaliado e experimentado à exaustão. Wall-E, assim como todos os trabalhos anteriores, não deixa margem para críticas. Desde a idéia inicial até a renderização final.
A qualidade maior de Wall-E, no entanto, não se encontra na competência técnica da Pixar, mas em sua preocupação em respeitar a inteligência do espectador. E, por espectador, não me refiro apenas às crianças. Wall-E é animação para todas as idades.
Neste filme, eles escolheram beber da fonte mais revolucionária e competente da história do cinema. Charles Chaplin. Sim, Wall-E é a personificação (ou seria automatização?) do personagem vagabundo de Chaplin. Os sentimentos puros e simples do robô solitário. Sua entrega desastrosa a uma paixão inocente por EVA, a robô avançada, por quem ele não mede sacrifícios. Momentos de humor pastelão, seguidos de cenas quase poéticas.
A crítica social também está presente, com a denunciada desumanização e descaso com o meio ambiente. Chaplin era crítico ferrenho dos males da industrialização da primeira metade do século XX. Não faltou nem a ridicularização da autoridade, com os chutes na bunda do policial.
Existe um tom feliz e esperançoso no final do filme. Há quem o critique por isso. Afinal, um filme sobre a destruição do planeta não deveria terminar de uma forma mais contundente?
Minha opinião pessoal? Não. A esperança não desqualifica a denúncia.
Se você estava em dúvida, não é do tipo “chato que não gosta de desenho animado” ou mesmo o “chato que só assiste a animes”, pode ir tranqüilo... ou tranqüila. Wall-E é bom cinema.
Tanto quanto era Chaplin.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Dona Ruth Cardoso

A morte da ex-primeira dama é triste. Ela foi a última a honrar o cargo.
Você se lembra da esposa do general João Batista? E da ex do Collor, com seus pais coroneis latifundiários? E a sem-calcinha de Itamar? Ok, a última não era primeira-dama, mas valeu muitas piadas.
Temos, atualmente, a Mudamarisa. Não fala, não participa, não se manifesta.
Podemos acreditar no que quisermos sobre o governo atual e o anterior. Verdade é que a morte de Dona Ruth Cardoso é uma perda para o país.

Punisher Max

Acabei de ler o arco "Widowmaker" de Punisher (linha Max). No Brasil, Punisher está sendo publicado no mix "Marvel Max" da Panini. Ainda estão no arco de Barracuda, alguns números anteriores ao que mencionei.
Mas esses são detalhes que não interessam...
O que interessa é que Garth Ennis está deixando o título. Há quem ame, quem odeie e quem não dá a mínima para o trabalho dele. Na minha humilde opinião, Ennis está entre os grandes roteiristas de quadrinhos da atualidade. Não sei exatamente quais são suas posições políticas nem suas preferências. O que sei é que ele sabe contar uma história e que sou fã de seu trabalho desde Preacher. É uma pena que ele esteja deixando Punisher. Ele revitalizou o personagem. Seguindo o padrão da Marvel, é capaz que Punisher acabe nas mãos de algum escritor medíocre (ainda não engoli a troca de Millar por Loeb no Ultimates).
Ennis assumiu o título quando ele ainda fazia parte da linha "Marvel Knights". Quando a Marvel consolidou sua linha adulta (Max), Punisher migrou para o novo selo, ainda escrito por Garth Ennis. Alguns fãs e críticos esperavam que, com a liberdade que uma linha adulta, no estilo Vertigo, garante, Garth Ennis retomaria seus áureos tempos de Preacher.
Não sei dizer bem o que esperavam.
O que vi de Punisher Max é muito bem escrito. O humor negro diminuiu, dando mais espaço à ultra-violência e dramas pungentes. Steve Dillon não desenha mais, mas os artistas que o substituíram não fizeram feio.
Minha intenção com este post é apenas defender uma obra bem trabalhada. Não, não é uma obra-prima, mas não é a merda que já vi rotularem por ai.

terça-feira, 20 de maio de 2008

Noves fora


Alguém mais viu a homenagem do nosso Ministro da Cultura ao milésimo programa do Faustão? Ele disse que tentou calcular quanto um programa semanal apresentado mil vezes correspondia em anos (eu disse ANOS). Depois de muito pensar, ele desistiu do cálculo.
Vamos ajudar nosso caro Ministro.
Sua Excelência, aqui vai a fórmula, diretamente das aulas de Didi Mocó: O ano tem 365 dias. Noves fora, cai um 7, escorregou um 9 ali atrás, cuidado com o 5 caindo...
Também desisto!

sábado, 17 de maio de 2008

Os novos inquilinos – capítulo 2

Levou um pouco mais de dois ciclos lunares até as tatuas o desenterrarem. Era realmente grande e fantástico. Th não conseguia conter sua excitação. Na verdade, nem se importava em tentar. Dançava e cuspia como um primário recém-nascido. Era o primeiro a encontrar um ser humano perfeitamente conservado.
As tatuas que trabalhavam na escavação não conseguiam erguer o ser humano sozinhas. Foi necessário contratar duas equipes extras. Th acompanhou todo o trabalho de perto e permitiu que Sh estivesse presente. Ele gostava do jovem e já o considerava seu pupilo, mesmo que não tivesse formalizado a contratação com os pais de Sh.

O fóssil de ser humano foi levado para o laboratório de Th, onde foi examinado por um ciclo solar inteiro. Durante esse tempo, a saliva de Sh alcançou a salinização necessária e ele pôde participar de sua primeira poça de discussão.
É costume que a primeira discussão de um jovem seja realizada com outros jovens como ele, para que a inexperiência não atrapalhe debates importantes que já estejam avançados. Sh ficou frustrado. Os outros jovens que debateram com ele tinham interesses ordinários. A colheita, o clima, o futuro das relações comerciais com as tatuas e os cavalhos... Quando ele cuspiu a descoberta de Th, o assunto foi rapidamente descartado. Os outros não tinham informações suficientes para falar do assunto. O debate terminou quando discutiam sobre a moda das faixas aromáticas para as pernas das fêmeas.
Mas a frustração de Th logo foi esquecida. Havia chegado o grande dia. O dia em que Sh apresentaria os resultados de sua análise do fóssil de ser humano encontrado.
Uma grande poça foi preparada. Os maiores debatedores e pesquisadores reuniram-se à sua volta. Não havia lugar para jovens, mas Sh conseguiu reservar um cantinho para Th poder sorver o que ele tinha a dizer em primeira-língua.
Th chegou com toda a majestade e arrogância a que um grande pesquisador tem direito quando vai apresentar sua maior descoberta.
O que Sh cuspiu na poça foi isso:
“O espécime desenterrado tinha quatro metros de comprimento e aproximadamente um metro e sessenta de altura. Seu corpo era formado por uma liga à base de carbono e diversos metais. Locomoviam-se sobre quatro membros cilíndricos. Dentro do fóssil, encontrei um pré-h, cuja identificação é esta.”
Quando chegavam nessa parte, os debatedores olhavam para Sh, que segurava a carteira de motorista de Arnaldo. Voltavam a sorver.
“Acredito que esta era a forma de identificação dos pré-hs e que os seres humanos os devoravam e escravizavam para propósitos que ainda não ficaram devidamente esclarecidos.”

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Ó lá balão...

Antes de tudo, devo pedir desculpas aos gatos pingados que acompanham este blog. A ausência não tem uma justificativa nobre. Foi puro desleixo.
Falemos sobre um dos assuntos mais comentados atualmente: o padre dos balões.
...
Bem... na verdade, não há muito que falar. O cara foi um completo imbecil. Enumeremos:
- Amarrou mais de mil balões nas costas para voar... sem saber voar.
- Não sabia manusear o GPS
- Não levou baterias de celular extras
- Não levou as condições meteorológicas em consideração.
- Protegeu-se do frio com folhas de alumínio.
- Não tinha autorização dos órgãos competentes.
Esse último foi o mais grave, a meu ver. E se, por uma idiotice egomaníaca, um avião acaba caindo? E eu ainda não mencionei o mal que mil balões de festa podem fazer, jogados no mar, matando tartarugas engasgadas.
Não sejamos condescendentes. Nada de eufemismos para não ofender os mortos. Se os católicos estão certos em sua visão do pós-morte, este padre deve estar, no mínimo, no purgatório, respondendo por sua burrice e falta de respeito à vida. A dele e a dos outros.

terça-feira, 25 de março de 2008

Anardeus diz:


"O idiota não faz idiotices sozinho. Tem sempre uma equipe de idiotas apoiando."

sábado, 22 de março de 2008

Os novos inquilinos - capítulo 1

Os humanos deixaram de existir há muito tempo. Pelo menos, é o que se acredita. Existe a possibilidade de terem seguido seu padrão parasitário e, ao concluírem que haviam sorvido todos os recursos do planeta, tenham construído máquinas para lançarem-se ao espaço e conquistarem outro planeta, do qual pudessem também esgotar os recursos naturais. Mas essa é uma especulação encarada por alguns como a mais pura ficção. Não foram encontradas evidências de que os humanos tivessem chegado a esse grau de evolução tecnológica. O destino final dos humanos provoca discussões acaloradas entre os pensadores. Discordam até da época em que esse desaparecimento teria ocorrido. Teria sido há duzentos mil ciclos solares, dizem uns. Outros defendem que foi há mais de um milhão. Ninguém sabe ao certo.
Sh ainda é um mediano. Não tem direito a opinar abertamente, ao redor das poças de debate. Pode sorver algumas gotas de discussão, mas sua saliva ainda não alcançou o grau correto de salinização, por isso, está proibido de cuspir qualquer argumento na poça. Segundo seu pai, não falta muito. Um ou dois ciclos, no máximo. Sh interessa-se muito pelos humanos. Assiste a todas as discussões sobre o assunto. Quando sua saliva alcançar a composição ideal, cuspirá nas poças que ele acredita que os humanos deixaram o planeta há um milhão de anos em grandes máquinas voadoras, parecidas com os casulos que eles usam para visitar os planetas mais próximos. Não acredita que os humanos foram simplesmente extintos. Diverte-se quando algum pensador exótico cospe que os humanos não desapareceram. Apenas evoluíram para o que são seus irmãos, hoje. Geralmente, esses pensadores são ridicularizados e esquecidos.

Havia um local que Sh adorava visitar. Todas as manhãs, saía voando da caverna de seu pai. Pousava sobre um cogumelo vermelho e cumprimentava Th com um abano de suas asas. Th era um velho pensador, um dos maiores especialistas em seres humanos. Sh o admirava imensamente. Th gostava do entusiasmo de Sh e, todas as manhãs, cuspia alguma informação em um chifre e o entregava ao jovem, que engolia a cusparada excitado pela curiosidade.
Cada dia era uma surpresa. Naquela manhã, Th estava diferente. Não pegou o chifre para cuspir e entregar às garras trêmulas de emoção de Sh. Em vez disso, chamou-o, balançando suas asas enrugadas. Seus assistentes formavam um círculo sobre algo. Balançando as asas furiosamente, Th informou a seus assistentes que não se aproximassem tanto. Com isso, abriram espaço e Sh pôde ver.
O objeto havia sido descoberto por uma das tatuas. A espécie de Sh não tem habilidade para escavar. As tatuas, sim, e trabalham por muito pouco.
Os olhos de Sh arregalaram-se. Estava presenciando uma das maiores descobertas dos pensadores sobre os humanos. A argila do local havia preservado o objeto.
Era um saco plástico. Dentro, apenas um cartão plastificado, com uma imagem e símbolos. Símbolos!
Th pulava, cuspia e dançava. Ele estava certo. Aquele cartão provava isso. Os seres humanos usavam símbolos e o estímulo visual para transmitir seus conhecimentos. Os assistentes sentiam repulsa pela idéia logo que a tocavam com suas línguas.
Não havia a menor possibilidade de saberem o que dizia aquele cartão. Havia uma imagem. Uma cabeça? Muito provavelmente. Ali estavam os olhos. Pequenos. O nariz, estranho. A boca. Mas por que aquela representação específica, daquela parte do corpo, estava ali, naquele cartão com símbolos estranhos, permaneceria um mistério tão grande quanto todos os outros que envolviam o estudo humano.
As tatuas diziam que havia mais alguma coisa enterrada abaixo do local onde haviam descoberto aquele cartão, mas que levaria muito mais tempo para desenterrar. Th consentiu e pediu que começassem imediatamente.
Th tocava o cartão com sua língua, tentando conseguir alguma informação, mas nada vinha. Por fim, acabou guardando-o com todos os objetos preciosos que encontrara nas escavações daquele sítio. Compartilhou tudo o que aprendera com seus assistentes e com Sh e voltou ao trabalho.
Sh voou excitado para casa.
Logo, a carteira de motorista de Arnaldo seria exposta e discutida no próximo debate e Sh sonhava com o dia em que sua saliva estaria pronta para participar das discussões.

Hipocrisia-1

Hipocrisia é inevitável. Dá para controlar, minimizar, mas não se isentar. Somos todos hipócritas. O grau. Isso é o que determina a virtude de cada um.
Eu estava assistindo a um programa no Multishow, o Reclame. Uma das apresentadoras estava conclamando os publicitários a criarem campanhas contra o aquecimento global. - Vamos lá, donos de agência, diretores de criação, diretores de filmes, diretores de arte - tem diretor pra cacete nesse ramo - redatores... vamos todos, felizes representantes da área publicitária, criar peças denunciando os malefícios do aquecimento global.
A campanha, segundo a apresentadora, foi inspirada pela palestra que Al Gore proferiu em Cannes.
Estou falando nisso porque foi essa campanha que me inspirou a escrever este tópico. Al Gore, por exemplo, mora em uma mansão que consome uma quantidade desnecessária de eletricidade e água. Os mesmo publicitários que vão produzir esses filmes – corrijam-me se eu estiver enganado - não são os mesmos que vão para seus locais de trabalho dirigindo carros com potência muito maior do que o necessário para trafegar em cidades grandes? Uns poucos até de helicóptero? Não são os mesmos que trocam de celular como quem troca de calças?
Como eu disse, somos todos uns hipócritas!